segunda-feira, março 30, 2026
Europa

Espanha castiga líderes catalães com penas de até 13 anos de prisão

Sentença foi anunciada um pouco antes das 10h pelo Tribunal Supremo, que condenou nove políticos e ativistas catalães presos há dois anos a penas de 9 a 13 anos

Da esquerda para a direita: Oriol Junqueras, Joaquim Forn, Raül Romeva, Jordi Turull, Josep Rull, Jordi Sánchez, Carles Mundó, Carme Forcadell, Meritxel Borràs, Dolors Bassa, Santi Vila, Jordi Cuixart

O Tribunal Supremo espanhol anunciou a setença dos 12 líderes julgados pelo processo de independência da Catalunha. Nove dos que estão presos há quase dois anos foram condenados a penas que variam de 10 a 13 anos, além de inabilitação política. Três foram condenados a pagar multas e a inabilitação. Assim a corte descartou o delito de rebelião, comprovando que não houve violência por parte dos ativistas e políticos catalães, tese sustentada pela acusação.

A pena mais alta foi aplicada ao ex-vice-presidente da Catalunha, Oriol Junqueras, condenado a 13 anos de prisão e 13 de inabilitação. A sentença foi anunciada um pouco antes das 10h da manhã (horário local). No final de semana meios de comunicação espanhóis haviam adiantado informações sobre a condenação por sedição e malversação, causando indignação na Catalunha por violar o segredo de justiça e vulnerar o direito dos presos.

Confira abaixo as demais penas:

Jordi Turull, ex-secretário de Governo: 12 anos de prisão  por sedição e malversação.

Raül Romeva, ex-secretário de Relações Exteriores: 12 anos de prisão por sedição e malversação.

Dolors Bassa, ex-secretària de Bem-estar Social e Trablho: 12 anos de prisão por sedição e malversação.

Josep Rull, ex-secretário de Território: 10 ano e meio por sedição.

Joaquim Forn, ex-secretário de Interior: 10 anos e meio por sedição.

Carme Forcadell, ex-presidente do Parlamento: 11 anos e meio por sedição.

Jordi Sànchez, ex-presidente da Assembleia Nacional Catalã: 9 anos por sedição.

Jordi Cuixart, presidente de Òminium Cultural: 9 anos por sedição.

Santi Vila, Carles Mundó i Meritxell Borràs, ex-secretários da Generalitat:  condenados por desobediência a uma multa de 10 meses com uma quota diária de 200 euros e um ano e oito meses de inabilitação.

A sentença, por unanimidade diz “que não há suficiente com a constatação dos episódios de violência para proclamar que os feitos integrem um delito de rebelião (…). A violência há de ser una violência instrumental, funcional, preordenada de forma direta, sem passos intermédios, às finalidadeque animem a ação dos rebeldes”.

Ou seja, que depois de dois anos de acusação, de instrução por rebelião, o que permitiu  a suspensão dos direitos políticos dos presos que tinham mandato eleitoral, tanto no Parlamento da Catalunha quanto no Congresso espanhol, o tribunal presidido pelo juiz Manuel Marchena considerou como sedição os feitos de outubro de 2017. O Ministério Público pedia penas mais elevadas, de até 25 anos de prisão por rebelião, enaquanto a Avocacia do Estado demandava penas por sedição.

Oriol Junqueras gravou um àudio por telefone no qual classificou a condenação como vingança do Estado. Para o ex-vice-presidente catalão as penas são “um castigo contra todos que vivem na Catalunha”. “Isso demonstra a vontade de acabar com os independentistas e também com a democracia”, desbafou, ao dizer que estava indignado. “Não podemos vivem em um país onde se condenada a democracia”.

Da prisão de Lledorners, Jordi Cuixart também gravou por telefone uma mensagem após o anúncio da sentença. O presidente da Omnium Cultural disse que todos os presos estão fortes, serenos e unidos.Nem a prisãso nem a repressão serão a visualização de qualquer derrota, senão um passo a mais no exercício destes direitos pelos quais lutamos. Por uma sociedade mais justa e pelo direito a autodeterminação”, disse no audio divulgado pela associação da sociedade civil em sua página no Twitter.

Através do Twitter Carme Forcadel também se manifestaou: A injustiça se consumou. O livre debate parlamentário não é delito, é um direito exercí-lo e um dever defendê-lo. Não nos cansaremos de dizê-lo aonde faça falta. Hoje a democracia vive um dia escuro, mas nem em momentos assim o derrotismo nos vencerá.”, escreveu.

O presidente do governo da Catalunha, Quim Torra, fez uma declaração conjunta no Palácio da Generalitat junro com todo o corpo de secretários. “O governo e eu rechaçamos estas sentenças, por injustas e antidemocráticas, por formar parte de um julgamento político e de uma causa geral contra o direito à autodeterminação da Catalunha e do independentismo”, disse num dos trechos do pronunciamento, postada na integra nas redes sociais do governo catalão.

Por outro lado, o primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez, fez um pronunciamento oficial dizendo que a partir de agora a Catalunha entra em uma nova etapa, se desentendendo da reação popular à sentença. Num dos trechos do prinunciamento divulgado pela TV e redes sociais, ele diz: ” Catalunha deve dialogar com Catalunha.  Generalitat e Parlamento devem representar a todos os catalães e catalãs. Nesta nova etapa o objetivo há de ser a convivência dentro da Catalunha. O método será o diálogo; A regra só pode ser a lai, a Constituição Espanhola”.

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