Nomes do médico congolês e da ativista yazidi foram anunciados hoje pelo Comitê do Nobel. Cerimônia de premiação acontecerá dia 10 de dezembro, em Oslo, na Noruega

O ginecologista congolês Denis Mukwege e a ativista da minoria religiosa yazidi Nadia Murad, vítima do estado islâmico, foram premiados com o Prêmio Nobel da Paz de 2018. O anúncio dos vencedores, feito hoje pela academia, que justificou a decisão com os esforços dos dois laureados para acabar com a violência sexual como arma nos conflitos e guerras de todo o mundo.


“Cada um à sua maneira tem ajudado a dar uma maior visibilidade à violência sexual em momentos de guerra, para que os abusadores possam ser responsabilizados pelas suas ações”, diz a nota oficial do Comitê do Nobel.
Nadia Murad foi escrava sexual do autodenominado Estado Islâmico durante três meses no ano de 2014 até que conseguiu fugir. Na época em que ficou refém, os jihadistas mataram a sua mãe e mais oito mulheres, mortas porque eram idosas e “não serviam para serem violentadas”, enquanto “as meninas de mais de oito anos eram sequestradas para serem violentadas”, sefgundo relatou em entrevistas.
A ativista “tem recusado aceitar os códigos sociais que requerem que as mulheres permaneçam em silêncio e tenham vergonha dos abusos a que estão sujeitas”, descreve o comunicado do Comitê.
O médico da República Democrática do Congo, Denis Mukwege, se dedica à atender mulheres violentadas no país centro-africano, como contei no post publicado aqui no blog em julho de 2015, intitulado Vida longa a Denis Mukwegw: o médico que já atendeu 21 mil mulheres vítimas de abuso sexual.  Junto com sua equipe, ele atua no Hospital Panzi, criado em 2008. “A justiça é um assunto de todos” é o princípio pelo qual se rege o médico. O país vive em permanente conflito há décadas.
O Nobel da Paz é o único que não é entregue em Estocolmo, na Suécia, e sim em Oslo, capital da Noruega, por desejo do seu criador Alfred Nobel. A cerimônia será no próximo dia 10 de dezembro. No ano passado, o Nobel da Paz foi concedido à Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares (ICAN, em inglês), pelo trabalho feito para a eliminação de armamento nuclear no mundo.
HISTÓRICO DA PREMIAÇÃOOs prêmios Nobel nasceram da vontade do químico, engenheiro, inventor, industrial e filantropo sueco Alfred Nobel (1833-1896) em doar a sua imensa fortuna para o reconhecimento de personalidades que prestassem serviços à humanidade. Os prêmios foram atribuídos pela primeira vez em 1901, e de lá para cá já foram concedidos 98 a um total de 131 laureados (104 indivíduos e 27 organizações).
Na lista dos prêmios Nobel da Paz constam apenas 16 mulheres, incluindo a mais jovem laureada de sempre, a ativista paquistanesa Malala Yousafzai, que tinha 17 anos quando recebeu a distinção em 2014.
Atualmente com um valor monetário de nove milhões de coroas suecas (873 mil euros), o prêmio não foi atribuído em 19 ocasiões, nomeadamente durante o período da Primeira e da Segunda Guerra Mundial.