Manifestantes cobraram o direito de Carles Puigdemont, Oriol Junqueras e Toni Comín tomarem assento como eurodeputados, validando os votos de 2,2 milhões de europeus que os elegeram

Parlamento Europeu está impedindo que Puigdemont, Junqueras e Comín assumam seus mandatos em complacência com o estado espanhol

Dez mil catalães se concentraram na manhã desta segunda-feira (02) diante do Parlamento Europeu, em Estrasburgo, na França, onde os novos deputados eleitos nos países que compõem o continente tomaram posse de seus mandatos. Os manifestantes foram protestar contra a decisão da Eurocâmara de impedir a posse de Carles Puigdemont, Toni Comín e Oriol Junqueras, apesar de eleitos pela Espanha com 2,2 milhões de votos.

Puigdemont, ex-presidente da Catalunha, e Comín, ex-integrante de seu governo, atualmente exilados na Bélgica, não puderam participar da manifestação porque corriam o risco de serem presos no estado francês. Apesar de não haver nenhuma eurooedem expedida contra os dois havia essa possibilidade em função de um acordo de extradição que há entre França e Espanha pactado para casos de terroristas que poderia ser utilizada contra os líderes catalães mesmo não pesando nenhuma acusação do tipo contra eles.

Os dois vivem exilados na Bélgica desde 2017, após a realização do referendo de 1º de outubro sobre a autodeterminação da Catalunha. Já Junqueras, que era vice-presidente à época, está preso em Madri há mais de um ano e meio sob a acusação de rebelião, sedição e malversação de fundos públicos.

A justiça espanhola negou a Junqueras o pedido de autorização para ir tomar posse, alegando que o caso passaria outra instância. O curioso é que nenhum dos três foram condenados e mantém seus direitos políticos intactos. A pressão que a Espanha exerce no Parlamento Europeu para que não tomem posse é porque a partir de então ganhariam imunidade parlamentar.

O que no caso de Junqueras significaria interromper o processo de julgamento para o qual aguarda sentença. No caso de Puigdemont e Comín, lhes daria a imunidade para impedir a prisão, mesmo em território espanhol.

Os manifestantes catalães que estiveram em Estrasburgo hoje receberam apoio de eurodeputados de vários países. Muitos dos parlamentares consideram uma violação de direitos o impedimento de tomarem posse. A Espanha conta com o apoio do atual presidente do Parlamento, o italiano Antonio Tajani, conhecido por sua ideologia fascista.

Eurodeputados exibem fotos dos líderes catalães que estão impedidos de exercerem seus mandatos mesmo sem condenação

Com isso, três assentos no Parlamento dos 751 existentes ficaram vazios. Nos seus lugares foram colocadas fotos e houve discursos contra o que foi reputado uma “violação democrática”. Durante o ato, Puigdemont e Comín, que estavam a três quilômetros de Estrasburgo, na fronteira com a Alemanha, enviaram vídeos agradecendo o apoio e dizendo que não desistirão de lutar.

Puigdemont e Comín junto ao advogado Gonzalo Boye, na fronteira da Alemanha com a França

Os manifestantes saíram de diversos pontos da Catalunha em 60 comboios de ônibus, carros, aviões fretados e de carro. A manifestação foi convocada pelo Conselho da República e pela Assembleia Nacional Catalã (ANC). Diversos politicos dos partidos independentistas e ativistas da sociedade civil participaram do ato em apoio aos três eurodeputados eleitos.

Puigdemont e Comín, assim como Junqueras estão recorrendo à varias instâncias judiciais. No caso dos dois primeiros, há um recurso também no Tribunal Europeu. A batalha dos catalães pelos seus assentos na Eurocâmara está só no primeiro round.