Socialista obteve 167 votos contra 165 em segunda votação no Congresso espanhol. Junto com Unidas Podemos, o PSOE formará primeiro governo de coalizão desde

Pedro Sánchez foi eleito com placar apertado: 167 contra 165

Por dois votos, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE), conseguiu ser investido como primeiro-ministro da Espanha nesta terça-feira (07). O cargo era ocupado por ele, em funções, desde abril de 2019, por conta de não ter conseguido maioria no Congresso de Deputados para assumir o cargo de pleno direito, o que levou a repetição do pleito em novembro passado. Agora, junto com o partido Unidas Podemos, liderado por Pablo Iglesias, formará o primeiro executivo de coalizão desde 1978, quando foi restaurado o período democrático no país. Espera-se que com sua posse, a Espanha possa superar a instabilidade dos últimos anos, quando o país enfrentou quatro eleições gerais em quatro anos e governos tensionados. Um dos seus maiores desafios e fazer baixar a tensão do conflito com a Catalunha, que esteve acirrado nos último três anos e ainda se mantém em clima de confrontação.

Com a votação de hoje, Sánchez consegue pela primeira vez chegar à presidência do executivo mediante uma investidura parlamentar. O socialista chegou à Moncloa em junho de 2018 como consequência de uma moção de censura que destituiu Mariano Rajoy. Em fevereiro de 2019, ERC e Juntos por Catalunha tombaram o seu mandato rechaçando aprovar o orçamento do estado. O que implicou na convocação de novas eleições para 28 de abril daquele ano. A eleição geral foi repetida no país em novembro passado pela incapacidade do PSOE de pactar a coalizão similar que fechou agora com Iglesias.

Apesar de ter feito pacto com Esquerda Repúblicana da Catalunha (ERC), que esteve à frente com os demais partidos independentistas (Juntos por Catalunha e CUP) da proclamação frustrada da república, em 2017, ainda não se sabe como fará para baixar a tensão na região que almeja a independência. Partidários de ERC, entre eles o eurodeputado Oriol Junqueras (ex-vice-presidente catalão) estão presos ou no exílio, sofrendo uma intensa repressão judicial.

No acordo com ERC, ficou pactado que montará dentro de 15 dias uma mesa de dialoga para tentar solucionar a questão catalã dentro do “marco político e constitucional”. Contundo, JxCat e CUP, que também contam com deputados no congresso espanhol desconfiam de Sánchez, que há bem pouco tempo fazia ameaças aos independentistas. Além disso, foi com seu apoio, que seu antecessor, Mariano Rajoy, conseguiu maioria no Senado para dissolver o governo e o parlamento catalão em outubro de 2017. Além disso os dois partidos também tem membros no exílio e na prisão (JxCat).

Outro problema que tem diante dos olhos é o partido de extrema direita Vox, que ganhou corpo no Congresso na última eleição, mais que dobrando sua bancada, agora com 52 deputados. O partido, com posições opostas às defendidas pelas esquerdas em termos de direitos humanos, trabalhista e de imigração, entre outras tem posições beleigerantes. E junto com o PP e Vox prometem fazer uma oposição cerrada a Sánchez, a quem acusam de ter se aliado com os “inimigos da Espanha” – independentistas, bascos e demais formações de esquerda.

VOTAÇÃOA votação desta terça-feira no congresso Sánchez, de 47 anos, conseguiu 167 votos e 165 contra entre os 350 deputados. A investidura foi possível porque como se tratava de segunda votação necessitava apenas de maioria simples. No domingo passado, quando houve a primeira votação, na qual se exige maioria absoluta, o placar quase semelhante, 166 contra 165, não foi suficiente para emplacar sua candidatura.

Sánchez governará em coalizão com Pablo Iglesias, de Unidas Podemos, que ocupará uma vice-presidência

Ao seu lado no governo terá Unidas Podemos, que lhe deu 35 votos. Pablo Iglesias, líder da sigla, ocupará uma das três vice-presidências e indicará mais quatro ministros. Sánchez também conta com o apoio do PNV (6), Mais País-Compromisso (3), Nova Canárias (1), BNG (1) e Teruel Existe (1). A oposição estará encabeçada pelo PP (88), Vox (52), Cidadãos (10), Juntos por Catalunha (8), CUP (2), UPN (2), Coalizão Canárias (1), Fórum Asturias (1) e PRC (1).

A investidura de Sánchez só foi possível pela abstenção de ERC (13) e de EH Bildu (5). Os republicanos usaram suas cadeiras para arrancar o acordo com Sánchez. No pleno de hoje, no lugar de Gabriel Rufián, porta-voz da sigla, quem assumiu o posto foi Montserrat Bassa. A deputada é irmã de Dolors Bassa, ex-secretária do governo catalão, que está presa, condenada a 12 anos de prisão por conta do processo independentista de 2017. Ao falar no plenário, Bassa, qualificou os deputados socialistas de “verdugos” e cúmplices da violência policial contra os cidadãos catalães que votaram no referenod de 1º de outubro de 2017. “Pessoalmente me importa um pepino a governabilidade da Espanha”, disse com contundência. Contudo, defendeu a abstenção de seu grupo como “uma oportunidade de diálogo”.

O pleno teve um momento de emoção protagonizado pela deputada Aina Vital, de Em Comum Podemos, de Barcelona, que sofre de um câncer agressivo. Por conta da enfermidade, ela não pode comparecer à votação do último domingo. Na sessão de hoje, foi aplaudida no hemiciclo quando recebeu um ramalhete de flores das mãos de Iglesias.