Pesquisas indicam que PSOE pode ficar em primeiro, mas com menos votos que na eleição passada. Opositores, especialmente extrema direita, cresceria, mas sem número suficiente para formar governo

Cartazes de campanha dos principais candidatos ao governo da Espanha

Os eleitores espanhóis vão às urnas neste domingo com a perspectiva de que o pleito – o quarto em quatro anos – não resolverá o bloqueio político. Ou seja, que dificilmente um dos candidatos consiga maioria para formar governo, como aconteceu na eleição de 28 de abril passado. Na ocasião, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol (PSOE), ficou em primeiro lugar, com 123 deputados, mas longe dos 176 parlamentares necessários para garantir a sua investidura.

Além de não ter a maioria no Congresso, não foi hábil o suficiente para pactar com o partido Unidas Podemos, de Pablo Iglesias, para formar governo, preferindo partir para novas eleições. Naquele momento, Sánchez tinha indicativos que poderia somar mais votos e se aproximar ou chegar à maioria nestas eleições.

Contudo, as recentes pesquisas demonstram que a jogada do socialista pode lhe custar a redução de assentos no Congresso espanhol. As simulações apontam que o PSOE conseguiria agora cerca de 117 deputados, seguido por Partido Popular de Pablo Casado (92) e pela sigla de extrema direita Vox de Santiago Abascal (46), que ascendeu na reta final. Unidas Podemos (35) e Cidadãos de Alberto Riveira (18) aparecem na sequência.

Esses números demonstram que a sigla mais beneficiada nesta eleição será Vox, cujas esquerdas conseguiram barrar o ascenso no pleito passado. Santiago Abascal tem a possibilidade de ver seu partido se tornar a terceira força no parlamento, disputando esse espaço com Unidas Podemos. Por outro lado, Cidadãos despencaria perdendo mais da metade dos deputados que havia eleito em abril. Pablo Casado se recuperaria ampliando o número de assentos e ficando em segundo lugar.

Contudo, a soma entre os blocos de esquerda e de direita não seriam suficientes para pactar a formação de um novo governo. A chave para o desempate ficaria mais uma vez nas mãos dos deputados independentistas de Esquerda Repúblicana da Catalunha (ERC), Juntos por Catalunha e a Candidatura de Unidade Popular (CUP), que juntos podem somar 24 deputados.

A Catalunha foi o tema central da campanha eleitoral, com PSOE, PP, Cidadãos e Vox disputando o pódio de quem seria o mais repressor com a comunidade autônoma que pleiteia a independência. A condenação dos nove líderes presos, que em 2017, participaram do processo de independência, a penas que juntas somam quase cem anos, aumentou a tensão na região.

Desde 14 de outubro, quando foi divulgada a sentença pelo Tribunal Supremo,os protestos têm sido diários, como os ocorridos em todo território neste sábado como o concerto musical ocorrido na Praça Universidade, em barcelona, convocado pelo movimento Tsunami democràtic.

Concerto musical em Barcelona, um dos atos do movimento Tsunami Democràtic, para protestar contra sentença aos líderes catalães

O que fez com que o estado espanhol aumentasse a repressão e recorresse à violência policial para frear os manifestantes. Muitos dos quais foram feridos durante protestos, além de prisões de jovens cujos relatos indicam que foram vítimas de tortura.

Com a dura sentença contra os independentistas Sánchez pensava que somaria mais votos. Tanto que seu discurso e mote de campanha estiveram praticamente focados na Catalunha, se assemelhando muito aos dos seus opositores de direita. Contudo, só serviu de alimento para a extrema direita, beneficiando a Vox e ao PP. O que pode manter o país sem governo efetivo. Neste domingo os eleitores espanhóis decidirão.