Jordi Cuixart, presidente da Òmnium Cultural, defendeu na última sessão de julgamento em Madri que a Catalunha continue “lutando pacificamente pela independência da Espanha

Cuixart impressionou pela altivez com que defendeu o direito a autodeterminação da Catalunha

Após quatro meses, o julgamento dos líderes independentistas catalães, iniciado em 12 de fevereiro, acabou nesta quarta-feira (12) após mais de 50 sessões e a ouvida de cerca de 400 testemunhas. Mesmo diante de uma corte que não escondeu a disposição de condenar os políticos e ativistas que participaram da realização do referendo de autodeterminação de outubro de 2017, quando a Catalunha ensaiou separar-se da Espanha, os acusados não baixaram a cabeça na sessão onde apresentaram as últimas alegações de defesa.

Diante do presidente da corte, Manuel Marchena, o ativista Jordi Cuixart, presidente da Òmnium Cultural, vaticinou: “Lhes digo sem nenhuma estridência e com toda a serenidade que o tornaremos a fazer, de forma pacífica e com toda a determinação do mundo”, numa referência à busca pela independência. A fala de Cuixart emocionou os que acompanhavam a transmissão a sessão pela TV ou através dos telões que a Òmnium instalou em Barcelona, como no Arco do Triunfo, onde uma multidão se reuniu.

No Arco do triunfo, em Barcelona, faixa gigante dizia “Manifestar-nos, expressar, mobilizar-nos. Votar. Voltaremos a fazer”, em apoio aos presos catalães

Também expressou o sentimento dos mais de dois milhões de cidadãos que foram às urnas em 1º de outubro de 2017, quando a polícia atacou com violência os eleitores que foram as urnas responder se queriam ou não a separação da Espanha. Nas ruas, houve demonstração que de apesar da repressão do estado espanhol contra os líderes do movimento, o espírito soberanista não arrefeceu a causa que mobiliza o território desde 2010.

Josep Turull mostrou indiganação com conduta do Tribunal Supremo, falando do futuro dos seus filhos

Os depoimentos dos acusados foram plenos de sentimentos e de indignação, visto que todos parecem dar por certo a condenação do caso que muitos reputam que deveria ser resolvido pela via política. O ex-secretário Josep Rull foi contundente: “Com suas resoluções (acusadores) decidiram que não possa ver crescer meus dois filhos de 10 e quatro anos(..) mas não impedirão que eu lhes possa dar testemunho de nossa luta democrática para que eles possam viver em uma  república catalã”.

O ex-vice-presidente da Catalunha e eurodeputado eleito, Oriol Junqueras (ERC) defendeu que “votar ou defender a república desde um Parlamento não pode ser delito”. Argumento semelhante ao apresentado pela ex-presidente do Parlamento, Carme Forcadel, que antes foi dirigente da Assembleia Nacional Catalã (ANC). Que reputou como “totalmente incompreensível que me acusem de rebelião. Estou sendo julgada pela minha trajetória política, por ser quem eu sou”. A pena pedida para ela é de 17 anos de prisão, enquanto para os demais varia entre isso ou 25 anos.

O ex-secretário de Assuntos Exteriores, Raül Romeva, eleito senador em abril passado com quase um milhão de votos, disse que no banco de acusados não havia somente doze pessoas, “mas milhões que mesmo com a repressão não mudaram de ideia”, numa referência aos eleitores que disseram sim à independência da Catalunha. Além deles, também expuseram as últimas alegações Jordi Trull, Jordi Sènnchez, Joaquim Forn, Dolors Bassaa, além de Carles Mundó, Meritxell Serret e Santi Vila, estes últimos em liberdade condicional.

Em Barcelona, manifestantes pediram absolvição dos líderes catalães

Após a finalização da sessão, no final da tarde, muitas cidades catalãs foram tomadas por manifestantes que defenderam a absolvição dos líderes independentistas. A maior concentração aconteceu na Praça Catalunha, em Barcelona, onde milhares de pessoas acompanharam as falas de ativistas e políticos que defendem o diálogo para resolução do caso catalão.

Quim Torra deu aval às palavras de Cuixart em coletiva de imprensa após finaliozação da sessão

Um pouco antes, o atual presidente da Catalunha, Quim Torra, em roda de imprensa, apelou à consciência dos catalães, dos partidos e das entidades da sociedade civil “a trabalharem para que Catalunha se torne um estado independente”. “Agora é hora do país. Como disse Cuixart, eu também estou convencido que tornaremos a fazê-lo”, corroborou.


Através do Twitter, o ex-presidente da Catalunha, Carles Puigdemont, disse que a sentença justa somente pode ser absolutória. “Os nossos presos e presas defenderam de cabeça bem alta, palavra alta e dignidade intacta. Este julgamento farsa (#JudiciFarsa) e a sentença marcarão gerações de catalães. Liberdade. Nem um minuto mais na prisão indigna!”.