Documento divulgado pela Oficina do Inspetor Geral do Departamento de Segurança Nacional mostra condição desumana de imigrantes detidos nas instalações da Polícia Fronteiriça do Texas

“Ajuda, 40 dias aqui”, diz cartaz empunhado por um dos imigrantes detido

Informe difundido na quarta-feira (03) por funcionários da Oficina do
Inspetor Geral do Departamento de Segurança Nacional (DHS na sigla em
inglês) mostra a forma desumana como são tratados os imigrantes
detidos nos centros da Patrulha Fronteiriça, no sul do Texas, nos
Estados Unidos. O documento, no qual constam fotos, é fruto de visitas
realizadas a cinco comissárias e dois portos de entrada do Vale do Rio
Grande.
No local estavam cerca de oito mil imigrantes, dos quais 3,4 mil havia
chegado há mais de 72 horas e 1,5 mil mais de dez dias. Entre os detidos havia 2.669 menores, entre os quais 826 (31%) permaneciam há mais do limite de 72 horas estabelecidos nos protocolos.
O texto reconhece a superlotação extrema, estancias largas e risco
para saúde nestes centros e alerta sobre a necessidade de atender “a
perigosa e prolongada detenção de crianças e de adultos nesta área.”
Segundo o organismo, o propósito é “notificar um assunto urgente que
requer atenção e ação imediata”.
O documento informa que centenas de menores permanecem em custódia na fronteira esperando serem transferidos a instalações do Departamento de Saúde e serviços Humanos (HHS, em inglês). O órgão é o encarregado de cuidar dos pequenos imigrantes não acompanhados que são detidos.
Durante a visita, os migrantes golpearam as janelas dos quartos em que estão detidos e gritaram para chamar a atenção dos funcionários do
DHS. A maioria não tomava banho, inclusive aqueles que estão no local
há mais de um mês e vestiam a mesma roupa com que chegaram. Só lhes é dado toalhas humedecidas para a higiene corporal. Uma das fotografias
constantes no relatório mostra um homem num quarto junto a outras 88
pessoas. Ele está apoiado no vidro da janela segurando um cartaz no
qual se lê: “Ajuda, 40 dias aqui”.
“Durante nossa visita a cinco instalações da Patrulha Fronteiriça no
Vale do Rio Grande observamos superlotação grave de menores não
acompanhados e famílias, grupos definidos como ‘em risco’ segundo os
protocolos de Transporte, Acompanhamento, Detenção e Busca (TEDS) da Patrulha Fronteiriça”, detalha o documento.
Três das estações visitadas não tinham acesso a chuveiros para
crianças, que tinham pouca oportunidade de trocar de roupa ou lavá-la.
Foi constatado que muitas famílias com crianças estavam em quartos com as portas fechadas. O informe indicou ainda que a manutenção dos
detidos por largos períodos de tempo nas instalações da Polícia Fronteiriça é de responsabilidade do Serviço de Imigração e Aduanas
(ICE, em inglês).
A divulgação do informe se deu em meio de uma controvérsia gerada no
país pela situação dos pequenos imigrantes detidos em uma comissária
da Patrulha Fronteiriça em Clint, no Texas, onde segundo denunciam de
advogados, os menores estão em condição insalubre. A denúncia diz que as crianças estavam sem fraldas, sabão, roupa limpa, escova de dentes,
nem comida adequada