Paralisação marcada para esta sexta-feira na Catalunha deve ter adesão massiva em meio a contexto político marcado pela condenação dos líderes do movimento

Manifestação de estudantes na quinta-feira em Barcelona contra a condenação dos presos políticos

É esperada uma adesão massiva à greve geral convocada para esta sexta-feira na Catalunha em rechaço à sentença dos dirigentes condenados a penas que juntas somam quase cem anos pelos processo independentista. Isso porque desde o anúncio da sentença pelo Tribunal Supremo, na última segunda-feira, gigantescas manifestações vem sendo realizadas diariamente no território, com grande participação popular.

Algumas, como a da quarta-feira em Barcelona, acabaram em confronto da polícia e manifestantes, incêndios em dez carros, prisões e feridos. Nesta quinta-feira as jornadas de protestos continuaram. As ruas centrais da capital catalã foram tomadas pela manhã por estudantes, que se concentraram na Praça Universitat e depois fizeram uma passeata. À tarde houve concentração nos Jardinets de Gràcia, numa convocação dos Cômites de Defesa da Republica (CDRs). No local, os participantes organizaram diversas competições com bola, enquanto a multidão acompanhava os jogos, como mostra o vídeo do Twitter publicada abaixo.

Houve tensão na Praça de Artós, onde manifestantes antifascistas coincidiram grupos franquistas. A polícia local fez um cordão separando os dois grupos para evitar confronto. Os unionistas gritavam insultando os independentistas e soltavam rojões e fogos de artifício contra os opositores. Esse grupo acabou espancando brutalmente um jovem independentista sob a cumplicidade da policia, que voltou suas armas para os independentistas e fez vista grossa a ação dos franquistas.

A ação é mostrada em vídeo postado no Twitter do jornalista Aleix Sarri camargo, que diz: “Nazistas e militantes da extrema direita chutam e espancam um ativista pró-indy. TV ao vivo agora na Espanha. E esses bastardos são chamados de “constitucionalistas”! também em diversos vídeos que circularam nas redes sociais, como o postada abaixo. À noite também foram registrados distúrbios com queimas de contêiners nas imediações do Passeio de Gràcia.

A greve geral desta sexta-feira, convocada pela Intersindical-CSC e IAC, com o lema “Pelos direitos e Liberdades” terá como ato central uma manifestação às 17h (12h no horário de Brasília) nos Jardinets de Gràcia. A mobilização conta com o apoio da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Òmnium Cultural, Associação dos Municípios pela independência e outras centrais sindicais e associações.

O motivo principal da greve são reivindicações trabalhistas, como o salário mínimo de 1,2 mil euros e a derrogação da reforma trabalhista. Contudo, no contexto político atual, marcado pela dura condenação dos ativistas e político catalães, a mobilização ganha mais peso e adesão. Ao ato central da tarde se juntaram as milhares de pessoas que estão participando das “Marchas pela Liberdade”. As colunas saíram de cinco pontos da Catalunha chegam à capital amanhã e devem bloquear os principais acessos à Barcelona porque seguem pelas rodovias, como mostra vídeo publicado pela ANc nas redes sociais.

O porta-voz da Intersindical, Sergi Parelló, explicou que “o contexto político influencia porque os direitos trabalhistas também têm a ver com os direitos e liberdades”. “Nos encontramos em um contexto em que se estão colocando em questão os direitos fundamentais de reunião, manifestação e expressão. E isso também nos afeta enquanto sindicato”, remarcou.

Com relação aos serviços mínimos público, o Governo da Catalunha vai garantir o funcionamento de 50% do metrô e de ônibus em Barcelona nas horas de maior afluência, de 6h30 às 9h30 e de 17h00 às 20h00. No resto da jornadas estes transportes funcionarão apenas com 25% da frota. Já os trens de Rodalies e Regional contarão com serviços mínimo de33% durante todo o dia. As escolas de primária, secundária e institutos técnicos oferecerão apenas serviços mínimos, com um professor para cada seis classes. As universidades, que estão paralisadas desde o dia 16, permanecerão em greve. Na saúde, os serviços de emergência funcionarão normalmente, enquanto CAPs foi montado um esquema de funcionamento mínimo com 25% dos trabalhadores.

Algumas empresas decidiram fechar as portas, como a rede de supermercados Bonpreu, que adere à greve e pagará aos funcionários o dia de ausência. A fábrica Seat também decidiu fechar as portas em função da redução do transporte público.